compulsão alimentar

Madrinha de boa forma

Uma das tradições do CCA é a prestação de serviços, a gente pode fazer muita coisa pra ajudar o grupo, seja na manutenção do site, divulgação ou com apadrinhamento de novos membros.

Eu presto serviço como madrinha, apesar de não participar ativamente do grupo, ainda recebo convites de afilhadas.

E o que uma madrinha faz? acompanha todo processo do indivíduo, pra usar o material do grupo, reeducação alimentar, atividade física e apoio emocional, até trocando receitas, dicas, truques e principalmente, estando por perto pra socorrer nos momentos de crise – tudo pra que a afilhada evite dar a primeira mordida naquilo que pode prejudicar sua recuperação (emagrecimento). É um serviço anônimo, apesar do telefone ser um dos instrumentos de apoio, ninguem precisa se identificar.

Não é fácil porque geralmente as pessoas querem resultados rápidos e claro, tem dificuldade em seguir uma dieta, por mais simples que seja, fazer exercício (alguns nem tem condições físicas pra isso), então preciso ajudar essa pessoa no conhecimento e aceitação, o emagrecimento passa a ser resultado de uma série de fatores, não só de uma dieta eficaz.

Comecei em 2004 e ajudei algumas pessoas, mas fiz uma pausa depois da fibromialgia e passei a manter contato só com as afilhadas que já tinha.

Daí recebi dois convites pra ser madrinha, por indicação de outra afilhada, que não “via” ha algum tempo, fiquei muito feliz pela lembrança dela, pelas recomendações que fez, ela me chamou de “fada madrinha”, me fez tão bem que fiquei com vontade de ajudar mais gente a emagrecer.

Começamos a trabalhar juntas na semana passada, e  isso me deu um novo ânimo (chacoalhão) pra cuidar mais de mim, essa afilhada me fez lembrar o quanto isso é importante, porque eu tenho de dar o exemplo, afinal, como posso ajudar outras pessoas se não consigo cuidar de mim né? Eu sou boa pra ajudar os outros, mas tenho de ser pra cuidar de mim tambem…

Hora de comer?!!!

cart-17Comida

Diz a regra que o ideal pra quem quer emagrecer é comer a cada 3 horas certo? Mais ou menos. Sou totalmente a favor e porque não dizer, adepta da tal regrinha. Mas, e se eu não tiver fome, tenho que comer só porque é hora de comer? Não faz sentido né? Vou comer por obrigação? Nananinanão!
Quando comecei minha RA o principal objetivo era me alimentar como uma pessoa normal, fazer escolhas saudáveis sem radicalismo, isso teria que acontecer naturalmente.
Natural é a gente comer quando sente fome, não o contrário, fazer que nem essas mães chatas que ficam enfiando comida goela abaixo dos filhos…
Reeducação alimentar é um aprendizado que deve dar prazer e não dor, obrigação e tédio.
Bacana é saber que tenho direito a um lanchinho no meio da tarde, se tiver fome ou mesmo vontade, que ele está programado e tudo mais, mas que não sou obrigada a parar no meio da rua, abrir a bolsa, sacar uma banana (a essa altura, com a casca preta) e comer andando. Gentem!!! Que ser humano consegue comer andando? Se concentrar no sabor? na quantidade? e se uma pomba vier voando e batizar sua banana??? tá certo que pra comer uma banana de casca preta voce tem que estar mesmo ou muito esfomeado, ou muito distraido né? valhamedeus! isso, sem falar no cheiro de feira que fica dentro da bolsa…
É bom a gente ter uma linha de conduta a seguir, ser fiel a ela na medida do possivel, mas o melhor é quando a gente consegue respeitar as necessidades do nosso corpo, sem exagerar. Não pode ficar sem comer, nem comer sem vontade.
Comer de 3 em 3 horas ajuda a acelerar o metabolismo, evita que se morra de fome até o jantar e permite que uma variedade maior de alimentos – já que a gente pode distribuir os nutrientes entre as refeições e os lanches – mas, cada organismo tem um ritmo, as pessoas tem ritmos de vida diferentes, necessidades diferentes e isso tambem deve ser respeitado. Por exemplo: eu conheço comedores compulsivos que não podem fazer mais que tres refeições por dia, porque os lanches desencadeiam sua compulsão. No meu caso, eu preciso fazer os lanches pra evitar a compulsão na proxima refeição e manter a glicose equilibrada, caso contrario posso ter uma hipoglicemia – mas isso não é regra absoluta. Há dias em que eu simplesmente não tenho fome, as vezes não dá pra comer e acontece muito de eu querer apenas um suquinho, cafézinho ou cházinho e pronto! me sinto satisfeita como se tivesse comido um boi…com chifre e tudo…
Ahhhhhh, mas peralá, não é porque você não tomou o lanchinho que tem direito a jantar em dobro viu? É mais ou menos assim: não comeu, perdeu! Não pode usar como desculpa pra exagerar mais tarde viu? Pensa que eu não sei que tem gente que dispensa o lanchinho pra compensar no rodízio a noite né?!!!

Namastê!

Compulsão, gula ou o que?

Sinto muito, mas esse post está um tanto azedo…

Me impressiona o quanto as pessoas gostam de encontrar desculpas pro descontrole alimentar. Me impressiona mais ainda que as mais descontroladas são, justamente, as mais radicais com dieta. Vivem entrando e saindo de dietas, participam de grupos, desafios e mesmo assim não tem sucesso algum. Daí poem a culpa na compulsão alimentar.

Vamos deixar claro que compulsão alimentar é um disturbio sério, por vezes tratado a base de medicamentos – não pensem que eu sou uma regra em comedores compulsivos, eu sou uma rara excessão, porque graças a Deus não precisei de medicamentos, calmantes, ansioliticos ou antidepressivos – mas a maioria precisa, além do acompanhamento psicologico e nutricional. Não tem segredo, não tem regra. A realidade é essa, nua e crua. Os grupos de apoio existem pra dar suporte e pra troca de experiência, porque nós sabemos que ninguem vence a compulsão alimentar sozinho – a menos que não seja comedor compulsivo.

Não é porque você passa a semana a base de alface e mamão e aí, na sexta feira, enche a pança de linguiça com cerveja que vai por a culpa numa doença que nem conhece direito.

Tá cheio de gente guloso por ai. Gula é um pecado capital, além de ser feio e sinomino de falta de educação. Mas gulosos são capazes de se controlar numa festa, numa balada, churrascaria ou qualquer outro lugar que tenha comida em abundancia. Não fazem por que não querem e ponto final.

Eu sou comedora compulsiva, mas no final de semana tive uma grande e enorme GULA e daí? É melhor, mais bonito e saudável, assumir uma falta de educação do que se esconder atrás de uma doença que não existe.

A compulsão alimentar não anda sozinha, ela vem acompanhada de diversos outros fatores, emocionais ou psicologicos. Traumas de infancia, as vezes negados até a morte. Por isso é preciso acompanhamento psicologico, pra ajudar a detectar a fonte dos problemas e tratar de forma adequada.
Até hoje, de todas as pessoas que vieram me pedir socorro através desse blog, só uma é realmente comedora compulsiva, e como eu sei disso? Porque foi a única que foi buscar o tratamento adequado: médico, nutricionista, psicologo. E por incrível que pareça, tem obtido resultados surpeendentes no tratamento, porque parou de perder tempo vivenciando experiências alheias e passou a viver suas proprias, melhor, passou a ‘escrever’ suas próprias experiências.

A maioria que pede socorro quer a receita de um remédio, a dica de uma dieta, o segredo da malhação…e ficam hor-ro-ri-za-das quando mostro meu cardápio. Algumas ficam até com raiva e dizem que faço a dieta de forma errada. Dieta errada? Não sei. Ela foi passada e é supervisionada por uma nutricionista. Tenho exames clinicos pra provar que até agora ela tem suprido muito bem minhas necessidades nutricionais: meu percentual de gordura no sangue é digno de um atleta (quer ver? mando uma cópia das anotações médicas), minha taxa de colesterol é mais que perfeita, diabetes idem, enfim, clinicamente estou perfeita. Fisicamente tambem, apesar de não ter mais o mesmo pique que tinha antes da fibromialgia, ainda tenho o mesmo peso, manequim e  medidas. E o que isso quer dizer? Nada, porque pra mim o que importa acima de tudo é a saúde e o bem estar. E quando falo em saúde, bem estar e qualidade de vida, falo do conjunto da obra e não da barriga chapada – porque ela é a consequencia do equilibrio e não o contrario.

Então, se você não tá conseguindo manter uma dieta equilibrada, tá mais do que na hora de buscar ajuda profissional. Parar de se comparar com as capas de revistas e começar a se comparar com você mesma, buscar a melhor versão de si mesma.

Talvez seja hora de avaliar seus relacionamentos inclusive. Seu emocional, sua auto confiança, auto estima e como tem lidado com situações extremas. Nem tudo é culpa da gordura…

Namastê!

Comida e emoções

O texto abaixo, copiei do blog da Lu Francesa e mostra claramente qual a relação do comedor compulsivo com a comida e me fez refletir muito, principalmente, no quanto estou comprometida (se estou de verdade) com a minha abstinência, porque assim como um alcoolatra não pode dar o primeiro gole, o comedor compulsivo tem de se esforçar pra evitar a primeira mordida compulsiva. Espero que ele ajude a entender melhor o que acontece na mente doente de um comedor compulsivo:

Carência afetiva e alimentação

Para que os participantes dos meus seminários se apresentem, peço-lhes para confeccionarem um crachá. Em um canto do papel, escrevem como imaginam que seriam suas vidas se a comida não fosse um problema. Muitos escreveram a palavra ‘chata’. Quando os questiono sobre o assunto, comentam que não saberiam o que fazer com seu tempo. Falam que a vida seria sem graça e sem emoção.
Afirmam: ‘Quando fico procurando comida com aquela ânsia desesperada, e você sabe o que quero dizer, quando não consigo o suficiente e é uma questão de vida ou morte conseguir colocar aquele pedaço de chocolate na minha boca naquele exato minuto – isso faz parte de um momento de crise louca, divertida. Gosto desse momento de crise. Gosto de me sentir vivo. Sem o vaivém que acontece em torno da comida, a vida seria mais calma, mas acho que seria chata também’.
E continuam: ‘Engordar e emagrecer, viver fazendo regimes, é como estar numa montanha russa emocional. Em alguns dias tenho medo e em outros me sinto bem pra burro, mas pelo menos sinto alguma coisa. Não consigo imaginar como seria minha vida se não tivesse a comida para ocupar o meu tempo’.
Não há nada de chato em ser uma pessoa que come compulsivamente. Das duas,uma: ou você se odeia porque está gordo demais e tonto com a perspectiva de emagrecer, ou está pronto para acabar consigo mesmo quando come demais. O caos, a intensidade e o drama são acontecimentos normais no dia-a-dia de quem tem compulsão pela comida. Sofrer é uma maneira de estar no mundo.
É como se desempenhássemos o relacionamento pai-filho dentro de nós quando comemos. Se o que ouvimos, ou pensamos que ouvimos, quando crianças era que éramos maus e, portanto, merecíamos o que nos acontecia, livramo-nos disso comendo até nos sentirmos tão desconfortáveis que não conseguimos nos mexer.
É comum alguém que não come de maneira compulsiva pensar ser absurdo comer tanto a ponto de se sentir mal. Por que razão haveria alguém de querer comer tanto? Qual o sentido disso? O sentido não é o prazer do sabor, da textura ou do cheiro da comida; comer em excesso é uma forma de dar a nós mesmos o que acreditamos merecer.
O comer compulsivo é uma reencenação dramática do sofrimento e/ou da violência que testemunhamos como crianças em nossas famílias.
Nosso relacionamento com a comida é um microcosmo de tudo o que aprendemos sobre amar e ser amado, sobre nossa autovalorização. É o palco em que reencenamos nossa infância.
Se sofremos abusos, abusaremos de nós mesmos com a comida. O grau em que somos violentos, abusivos, autopunitivos é proporcional ao grau de violência, abuso e punição que recebemos. Aprendemos como fazê-lo por terem feito conosco.

Lú querida, já agradeci no blog, mas agradeço de novo…de vez em quando a gente precisa ler uma coisas dessas pra reassumir o compromisso com a vida.

Namastê!

A importância de manter o foco

Manter o foco quer dizer trabalhar pra atingir um objetivo, sem se desviar do caminho, sem distrair a atenção mais que o necessário e se o fizer, voltar rapidamente ao controle, é, acima de tudo,  aprender a definir prioridades. 

Sei, sei. Manter o foco é o melhor caminho pra atingir qualquer objetivo, seja ele profissional, pessoal e até mesmo nos relacionamentos. Como o objetivo desse blog sempre foi o de falar das minhas experiências com a compulsão alimentar, é sobre isso que vou falar agora e talvez por mais um tempo. 
Venho me especializando em divagar, me distrair (as vezes até de propósito) dos meus objetivos e esse tipo de atitude gera insatisfação, todo mundo sabe né?

Vasculhei minhas coisas de CCA, encontrei essas dicas, não é material do grupo, mas me ajudou muito no começo e vai ajudar agora:

  1. Manter um diário pessoal, íntimo. Na primeira página podemos colocar os objetivos que queremos atingir, enumerados. Na segunda, o que vai fazer para atingir esses objetivos, detalhadamente.  E diariamente podemos dedicar pelo menos 5 minutos pra atualizá-lo, colocando a alimentação, atividades físicas, e podemos aproveitar pra contar como foi nosso dia no trabalho, nos relacionamentos, etc…
  2. Vamos evitar encontrar desculpas para nos desviar do nosso objetivo, afinal, já traçamos nossa meta, sabemos o que fazer, então não tem desculpa pra não continuar certo?
  3. Se algo efetivamente acontecer que nos desvie do nosso objetivo, retomaremos o trajeto imediatamente depois. As vezes uma visita inesperada, um trabalho urgente, um filho doente, tudo isso requer nossa atenção naquele momento, mas isso não nos impede de continuar o que começamos.
  4. Não esperar momento certo. O erro mais comum das pessoas é deixar tudo pra segunda feira ou dia 1º ou pro ano novo, mês que vem…e aí vai adiando o começo das coisas indefinidamente e a insatisfação tambem. O momento de fazer qualquer coisa é agora, já, não deixe pra amanhã o que pode fazer hoje.
  5. Ser sua maior prioridade sempre! de que adianta ser uma boa esposa, mãe, filha, profissional, amiga…se você não está satisfeita ou feliz com você mesma? se não tem disposição de brincar com as crianças, paciência ou segurança pra curtir momentos intimos com seu marido, alegria pra lidar com a familia, satisfação pra trabalhar? É preciso investir no seu bem estar, na sua saúde, estar bem consigo mesma vai refletir diretamente nas suas relações, na sua vida em geral.
  6. Não coloque expectativa nas outras pessoas…não seja infantil, imatura. Faça você o que precisa ser feito, faça sua parte, estenda seu bem estar a todos a sua volta, mas mantenha-se atento pra evitar que a expectativa afete sua determinação.

É isso. Fácil né? lendo assim até parece…

Namastê!